Antes tido como algo restrito a grandes empresas, hoje em dia muitas startups brasileiras já nascem com um conselho consultivo para ajudar na condução da organização, fazendo toda a diferença para a construção e expansão do seu negócio. “Startups são empresas em fase inicial de 0 a 3-4 anos, que estão testando seu produto ou serviço e passando pelo primeiro crescimento do time. Ao longo de sua evolução e expansão, requer competências que alguns dos fundadores possam não ter adquirido ainda, como governança e execução, por exemplo. É onde entra o conselho consultivo”, explica Gil van Delft, CEO do PageGroup no Brasil. 

Os conselhos consultivos (advisory boards em inglês) dão suporte e orientação para a gestão da empresa, apontam caminhos para o crescimento e valorização da organização no médio e longo prazo, além de auxiliarem na superação de desafios específicos voltados às necessidades do mercado e da estrutura organizacional. Os conselheiros experientes também funcionam muitas vezes como um coach para os fundadores que em muitos casos são jovens e com menos experiencia na prática. 

Os mecanismos e práticas adotados pelo conselho consultivo variam conforme os diferentes estágios de desenvolvimento da startup, do MVP (Mínimo Produto Viável) à escala, estabelecendo políticas de governança que serão fundamentais para o futuro sustentável da startup.

A formação de um conselho consultivo

Os conselhos consultivos são formados por membros que atuam como mentores para os empreendedores. Eles vêm com as mais diversas especialidades e experiências profissionais que, somadas, guiam estrategicamente os fundadores. 

A cada fase da startup é possível que o conselho consultivo vá mudando e sejam atraídos novos membros com expertises específicas para determinadas etapas de evolução do negócio. “Na Page Executive, unidade de negócio focada no recrutamento para vagas de diretoria, C-level e conselho, com frequência são conduzidos projetos extremamente importantes. As startups estão cada vez mais escolhendo conselheiros (as) com vasta experiencia no desenvolvimento de empresas, fusões e aquisições, dependendo da fase em que se encontram. Isso acontece mais frequentemente em setores com órgãos reguladores atuantes, como fintechs, healthtechs e foodtechs, além de fases de expansão internacional”, conta Gil van Delft.

Gil van Delft aponta as características que mais se destacam entre os profissionais selecionados para conselhos de startups:

  • Senso prático e de execução: mais educativo e operacional do que exclusivamente estratégico.
  • Dinamismo e velocidade: o ciclo das startups é mais curto do que em empresas tradicionais, requerendo uma dinâmica diferenciada de ajustes e interações com os fundadores.
  • Inovação: manter espaço para explorar ideias, testar e errar.
  • Capacidade e interesse em desenvolvimento de pessoas: quando se trata de fundadores é preciso saber lidar com sonhos, visão, influência etc.
  • Atuação vertical: saber transitar em todos os níveis da operação da startup, diferentemente de empresas tradicionais onde conselho tende a ser mais voltado à diretoria executiva.

Diversidade na composição do conselho

Muitos conselhos ainda são formados com base na indicação e isso nem sempre favorece a maior diversidade. "Startups e empresas no geral precisam cada vez mais de pessoas com diferentes formas de pensar e enxergar problemas e oportunidades. Na Page, nós olhamos para a diversidade em um prisma mais amplo para os nossos clientes: gênero, raça, idade, orientação sexual, cultural, biológica e social”, destaca Gil van Delft. 

Especificamente em relação à gênero no mercado brasileiro, observa-se a tendência de mais mulheres ocupando posições executivas e cadeiras em conselhos consultivos quando as startups têm mulheres como fundadoras. 

“As mulheres agregam muito para um conselho por serem detalhistas (ótimo para auditoria, tax, legal e governança), por terem soft skills fundamentais para a formação de cultura e valores além da visão e execução, pela sensibilidade para entender o consumidor (ótimo para marketing e produto), além da sororidade com outras mulheres em posição de liderança. 

Hoje, nossos clientes exigem cada vez mais mulheres na lista de candidatos finalistas em um processo seletivo. Dependendo do perfil de C-level, 20 a 30% da lista é mulher contra 5 a 10% de antes. Também tenho visto cada vez mais mulheres em cursos de Conselhos e isso é uma evolução natural do desenvolvimento do Brasil nos últimos 10 anos. A sociedade está progredindo muito rápido e acredito que, se continuarmos com essa força e velocidade, vamos ter outra atualização daqui a 5 anos. Temos um longo caminho pela frente, mas precisamos comemorar os avanços também”, finaliza Gil van Delft.
 

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