O mercado de saúde no Brasil é o 8° maior do mundo e um dos únicos países que possui um sistema de saúde integral e gratuito para a população. 9,2% do PIB é investido em saúde no país, o qual 4% é destinado a saúde pública.

Ao longo dos últimos anos, aconteceram transformações no segmento pelas incorporações e fusões, através do plano de expansão dos grandes players de saúde. O ano de 2020, seria um período fundamental para a economia do segmento, proporcionando a valorização dos profissionais e uma maior profissionalização do setor em si. Porém, não poderíamos imaginar que em pleno século XXI, teríamos uma paralisação ocasionada por uma pandemia. Frente a isso, vencemos barreiras tecnológicas como o avanço da telemedicina, transformando a experiência do paciente e da equipe multidisciplinar envolvida, bem como colocamos em prática ações com muita agilidade e efetividade, as quais estavam a muito tempo sem prioridade.

Apesar disso, não podemos deixar de observar os impactos econômico negativos da pandemia na área saúde: muitas empresas precisaram fazer ajustes devido à crise, algumas por redução dos procedimentos cirúrgicos, redução do número de atendimentos ambulatoriais e internações, redução no número de materiais e insumos para um atendimento seguro aos colaboradores e pacientes. Diante desse cenário, surgiu a necessidade da reinvenção dos negócios para esse segmento, e da realização de desenhos alternativos para o direcionamento dos processos e protocolos já existentes, além do engajamento de líderes e equipe, os quais em muitos momentos estavam mais fragilizados. 

De acordo com Eryka Paulino, Head de Recursos Humanos com mais de 12 anos de experiência dentro do segmento, um gestor melhor preparado será aquele profissional que consegue vislumbrar tendências, realizar a gestão por influência, transmitir segurança e confiança a sua equipe, além de ser um profissional capaz de executar ações com excelência e implementar condutas principalmente em momentos incertos como, a própria pandemia. Marcelo Abrahão, CEO de um Grupo de Saúde, revela que a evolução do segmento, fez com que o líder entendesse que o mundo ganhou uma certa velocidade, que a comunicação e relações tornaram-se mais eficientes e os processos foram transformados. Com toda essa transformação, a liderança foi colocada à prova e precisou ser mais inspiradora e flexível liderando pelo exemplo, pela visão facilitada em modificar o mindset sem grandes pré-conceitos e na celeridade e assertividade das ações frente a equipe.

Assim como em outros setores, a mudança é a única certeza que podemos ter e uma adaptação urgente é necessária. Ao estabelecer técnicas comuns, gestores podem ter a sensação de que estão preparados para qualquer situação. Por isso, notasse que houve um maior direcionamento na formação do profissional, ampliando o conhecimento, sustentando psicologicamente o líder e o orientando na utilização das melhores ferramentas de gestão de acordo com seus desafios e necessidades.  Pensando nisso, Livia Corrêa, Consultora da divisão de Healthcare da Michael Page, enumera as cinco competências essenciais para os líderes durante a gestão de crise:

  1. Resiliência;
  2. Comunicação efetiva;
  3. Inovação;
  4. Integridade;
  5. Priorização.

As competências relacionadas, associam a um novo mindset e um talento híbrido, o qual o líder precisa de forma ágil se ajustar a nova cadência econômica, a fim de garantir a sustentabilidade, além de formar novos líderes capazes de continuarem o negócio. Por outro lado, Eryka Paulino comenta que em uma crise como esta, nunca antes vivenciada, nenhum profissional deve tentar ser um super-herói e que o líder pode estar suscetível a momentos de vulnerabilidade e que isso faz parte do jogo. A liderança tem princípios básicos para que as equipes sejam influenciadas, como a justiça, a inspiração, a humildade e para a Consultora da Michael Page, Livia Corrêa, a mais importante nesses momentos, é a empatia.

Durante os processos conduzidos na divisão de Healthcare, no ano de 2020, nunca se notou tanto a necessidade de uma comunicação efetiva e a transparência, o olhar humano e a mobilização da equipe para que houvesse a segurança psicológica e a eficácia no ambiente do trabalho, sendo capaz de gerar aprendizado construtivo e não punitivo, aperfeiçoamento e seguridade. Assim, podemos concluir que o líder deverá desenvolver um ambiente seguro para um melhor desenvolvimento com o intuito de influenciar positivamente. Ele não deverá concentrar as decisões para si e sim, descentralizá-las na tentativa de trazer novos aprendizados, novas ideias e reduzindo o tempo das atividades, fazendo com que a equipe se sinta parte integrante de todo o processo.

Lívia Correa

Consultora Sênior 

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